A analogia que se segue nas próximas linhas redigidas poderá vir a ferir gravemente os sentimentos de algumas pessoas, no entanto não deixará, de certa forma, de abrir os olhos a muitas delas.
Ora então:
Nós quando temos um cão acabadinho de chegar a nossa casa, ainda com pouco tempo de vida, achamos-lhe imensa graça e enchemo-lo de mimos porque é pequenino e muito indefeso e engraçado. Quando este começa a crescer começamos a criar um certo distanciamento e a piada inicial de ter um cachorrinho começa a desaparecer com o tempo. Começamos por desprezar o tempo precioso de estar com ele e o treino que lhe devíamos dar é completamente descuidado. Mais tarde, quando este começa a entrar na fase adulta percebemos que por mais que lhe digamos "senta" ou "dá a pata" este não corresponde rigorosamente a nada do que lhe mandamos fazer. Desta forma ficamos super aborrecidos e chateados com o animal e dessa forma, à força, tentamos educá-lo. Claro que nesta fase é extremamente complicado treinar um cão e muitas vezes nós cansamo-nos muito antes de tentar. O que disto resulta é, além de o cão não nos ter qualquer respeito ele pode mesmo tornar-se um animal super agressivo ou um cão indefeso e com medo de tudo à sua volta ou até mesmo um cão com tanto mimo que faz o que quer como quer sem qualquer controlo da nossa parte.
Onde quero eu chegar?
Basicamente, a nossa forma de educar os nossos cães é exactamente igual à forma como educamos as nossas crianças.
Chocante?
Então reparem:
Quando chega um bebé a nossa casa é uma alegria imensa e toda a gente o acha fofo e muito engraçado, seja pela sua inocência ou pela sua capacidade de mexer com os nossos sentimentos. Depois quando se tornam crianças a sua educação acaba por ser muito descuidada ou por não termos tempo ou por falta de paciência. Esquecemo-nos que é aqui que devemos incutir os primeiros valores e as primeiras ideias de como "sobreviver" nesta sociedade, neste mundo da forma mais justa e responsável possível. Resolvemos, em vez de tudo isso, deixá-los "soltos" porque assim é que vão aprender as coisas. Claro que isso também é importante, dar algum espaço à criança, mas desde que em casa haja tempo para conversar, escutar e saber observar o que eles têm para nos comunicar. É aqui que se molda uma pessoa, somos um ser social!
O que acontece quando essa fase não é bem estruturada é que a nossa criança ao atingir a adolescência e depois se torna adulto, os valores estão completamente dispersos, desequilibrados e descontrolados, surgindo aqui os primeiros problemas de "discordância excessiva" e "desobediência" paternal por conseguinte aparecem os insucessos escolares e por ai fora... Aqui, perdemos o controlo da situação e tentamos emendar o problema discutindo (não ouvindo) e criando castigos (não conversando) que jamais terão efeitos positivos nesta fase.
Logo, as nossas crianças tornam-se agressivos ou inofensivos inseguros ou até mesmo mimados imprudentes e gananciosos.
Pois é, quer cães quer crianças estão a ser tratados de forma igual... O grande e preocupante problema nesta questão é que as crianças são o futuro de uma geração, são o suporte de uma sociedade e o que o mundo será daqui a umas décadas depende do que elas serão.
É necessário não descuidar a fase mais importante da moldagem de uma pessoa para a vida, devemos apostar no futuro da nossa sociedade que começa por saber educar as nossas crianças desde o primeiro passo que dão. Se continuarem a ser tratadas como animais este mundo continuará a ser gerido, governado e liderado por um canil de raivosos Pit Bulls tal e qual como hoje é.
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