quarta-feira, setembro 26, 2018

E eis que o tempo não pára.

E para a semana já faz 10 meses que renasci.
Faz 10 meses que te tiraram de mim e te pousaram sobre o meu peito.
E que 10 meses meu Deus.
Passo dias de felicidade à loucura.
És um bebé que absorve toda a minha energia, ainda não consigo ter uma vida "normal", ainda precisas muito de mim, choras muito.
Também sorris muito, já te pões de pé, já vens em direção a mim quando chego a casa, já sabes distinguir os brinquedos que mais gostas dos que menos gostas, comes bem mas não és um comilão, adoras mamar nem que seja só para relaxar ou adormecer.
Dás noites péssimas, dormes mal. E isso consome-me. Tenho dias de muito cansaço e ansiedade e nesses dias às vezes perco a cabeça e grito... Não queria ser assim. Mas torna-se tão difícil noites e noites sem dormir e dias em que só sabes chorar. Primeiro dizem que é das cólicas, depois dizem que é dos dentes... e os meses vão passando e continuas com um feitio particular.
Desculpa filho por às vezes ser uma péssima mãe, mas EU AMO-TE do fundo do meu coração e acredita que todos os dias tento ser melhor.

sábado, março 10, 2018

Nos meus braços.

E aqui te tenho nos meus braços.
Todos os dias venho para o quarto para te adormecer à hora que já sei ser a tua hora. Todos os dias adormeces de forma diferente, hoje pediste a mama. E assim foi. Adormeceste a mamar e agora encostas o teu nariz no meu peito com a tua mão perto do meu pescoço.
Os meus dias têm sido todos teus, precisas do meu colo para dormir... bem perto de onde tiveste 9 meses. Precisas do meu cheiro, do meu calor do meu aconchego. Os meus braços nem doem com os teus 7kg, tenho sempre mais força para te agarrar para te dar o colo que precisas.
Agora já dormes mas abres os olhinhos para garantir que estou aqui. A tua respiração fica mais serena e o teu corpo mole junto do meu.
Os dias passam e vais crescendo. Já sorris e "falas" conosco.
O amor cá em casa é maior que o cansaço, o amor cá em casa é maior que alguma vez foi.

segunda-feira, fevereiro 05, 2018

Eu, agora mãe, me confesso.

O relógio marca 4h03 da manhã.
Estou exausta. Esta é a realidade.
Tenho-te nos meus braços acabado de mamar mas com uma necessidade intensa de continuares a alimentar-te de mim, do meu colo, do meu calor do meu cheiro.
E eu aqui tão frágil destes dias tão intensos e sem regras.
Tenho saudades de mim, de quando tinha tempo para mim. Tenho saudades do teu pai, de quando tinha tempo para ele.
Ser mãe é muito mais que aquilo tudo que te dizem que é... é horrível, é exaustivo, é sentires que se calhar és incapaz de criar alguém e é também solitário.
Ninguém sabe realmente o que sentes quando passas horas sem dormir ou quando passas horas a embalar outro ser que chora horas a fio sem explicação. Começas a perder a noção das coisas e começas a cair num buraco profundo...
Mas eis que chega a parte contraditória disto tudo... o amor.
O Amor está nisto tudo. Sim, o Amor está presente na força que arranjas para acordar de hora em hora, no carinho com que embalas o teu filho e nos sorrisos que ele te dá quando te vê...
E assim vais percebendo que afinal viver é isto. É o cheiro dele, é o olhar dele e o calor dele. E agarras-te a tudo isso acreditando que melhores dias virão porque afinal de contas o amor vence tudo.