quinta-feira, fevereiro 04, 2016

Sofrimento incompreendido.

É engraçado quando alguém está em baixo nós sabemos sempre o que dizer para aquela pessoa ficar melhor, o que devemos fazer para ela sorrir e para ser mais otimista. Como nos tornamos os donos da palavra e achamos que sabemos como se devem enfrentar os problemas naquela situação pela qual o/a nosso/a amigo/a está a passar.
Somo entusiastas, fazemos piadas e damos abraços para tentar que aquela pessoa enfrente os problemas e saia do buraco.
Somos fortes, aparentamos ser a pessoa mais "à prova de bala" que alguma vez existiu. O mundo parece sorrir-nos e como tal tentamos transmitir isso à outra pessoa.

E quando somos nós a pessoa que não está bem?

Não sabemos o que fazer, ficamos encurralados sem saber por onde sair por onde ir... nada faz sentido, não percebemos porque ninguém nos ouve e ninguém nos entende. O nosso problema é desvalorizado, porque não é nenhum problema "está tudo na minha cabeça". Começas a achar-te ridículo e uma palmadinha nas costas e um "isso passa" são as únicas palavras de conforto durante um dia inteiro.
Olhas à volta e estás sozinho... o mundo é enorme e tu estás ali sentado num banco de uma Clínica à espera de uma consulta com um estranho que te diga algo que tanto tempo recusaste em aceitar. Que te diga que "tudo vai ficar bem, não estás sozinho no mundo".
Entregas-te por vezes à solidão, guardas para ti porque sabes que é difícil alguém entender algo que nem tu mesmo entendes. As lágrimas começam a cair mais vezes que o normal e quando dás por ti estás agarrado àquele comprimido na esperança de um amanhã diferente, na esperança de uma noite de sono reconstrutora sem ressaltos.
Às vezes sentes que tens um mundo diferente deste, que mesmo que tentes são ambos incompatíveis e que a única solução que resta é o afastamento da realidade, a dormência...
As dores de cabeça tornam-se maiores pelas noites mal dormidas, pelos ataques que vão surgindo sem explicação.
Pode ser que o estranho que vai fazer a consulta saiba que isto é um beco sem saída mas com um atalho...