quinta-feira, outubro 05, 2017

Um dia meu filho.

Um dia meu filho vou olhar para estas milhares de fotos da minha gravidez e vou sentir nostalgia.
Vou contar-te cada pormenor do que vivemos os dois nestes 9 meses unidos por um cordão.
Um dia meu filho vou olhar para trás e pensar que o tempo voa, que o tempo me foge das mãos. Vou olhar para ti e sentir orgulho no homem que te tornaste.
Um dia meu filho quando te embalar nos meus braços vou sentir o mundo cair-me aos pés, vou sentir que o meu coração forte será um coração de mãe frágil e rendido a ti.
Um dia meu filho vou contar-te sobre a história de amor de mim e do teu pai, do nosso percurso e das nossas vitórias.
Um dia meu filho vou ralhar contigo e ensinar-te regras. Vou querer que percebas que a vida exige muito de nós, mas que apesar disso estou aqui para te orientar no caminho mais certo, eu e o teu pai.

Um dia meu filho vou ouvir-te pela primeira vez, sentir o teu cheiro e ver a tua carinha...

...e falta tão pouco e passa tão rápido.


Uma parte de mim que não conheces.

Meu amor, há uma parte de mim que tu não conheces. Há uma parte de mim que tu não vês, que tu não sabes como é.
Desde que começámos esta caminhada pela vida de mão dada que me sinto livre. Irónico não é? Muitos solteiros não percebem o que quero dizer com isto de estar casada e sentir-me livre. A essência aqui da liberdade é o poder ser eu, sem medos, sem segredos. Vivo a minha vida dentro da tranquilidade do amor que encontrei a teu lado. Este amor que é uma grande amizade ensinou-me a viver a vida de forma descontraída, mais do que antes de te ter comigo. A tranquilidade da nossa relação dá-me liberdade no coração. Sinto-me livre de preocupações banais porque sei que és o meu porto de abrigo.
No entanto, há uma parte de mim que não conheces e não vês. Essa parte aparece nas longas noites que passo sem ti. Também passo dias e tardes sem ti, mas aí acho que tudo se mantém igual em mim… mas nas noites não. Esticar o braço na cama e não te sentir ali, ter um pesadelo e não ouvir a tua voz a tranquilizar-me, a ansia para ouvir o som do portão a fechar e a porta de casa a abrir dá cabo do meu equilíbrio mental. Sei que passarão dias, semanas, meses e anos e será sempre assim. Agora que esperamos o nosso filho as noites tornam-se mais longas e sei que quando ele crescer vai esperar por ti também… todas as noites. Tal como eu esperava pelo meu pai.
Esta parte de mim, que não conheces e não vês, é a parte mais frágil do meu coração que se revigora assim que o teu beijo me conforta depois de mais uma noite longa passada lá fora.
Eu sei que também há uma parte de ti que eu não conheço. Aquela em que nessas noites deixas a nossa casa para cumprir o teu dever, para te dedicares à profissão que escolheste com o coração. Sei que nessas noites vês coisas que nem sei, sentes coisas que nem calculo…

Mas sabes? Ambas partes que desconhecemos um do outro fazem de nós, da nossa relação, aquilo que ela é, somos dois amantes amigos! Criamos esta liberdade de irmos de mão dada estrada fora sabendo que cada um estará lá sempre para o beijo de regresso, para o beijo de “boa noite”.