quinta-feira, outubro 05, 2017

Uma parte de mim que não conheces.

Meu amor, há uma parte de mim que tu não conheces. Há uma parte de mim que tu não vês, que tu não sabes como é.
Desde que começámos esta caminhada pela vida de mão dada que me sinto livre. Irónico não é? Muitos solteiros não percebem o que quero dizer com isto de estar casada e sentir-me livre. A essência aqui da liberdade é o poder ser eu, sem medos, sem segredos. Vivo a minha vida dentro da tranquilidade do amor que encontrei a teu lado. Este amor que é uma grande amizade ensinou-me a viver a vida de forma descontraída, mais do que antes de te ter comigo. A tranquilidade da nossa relação dá-me liberdade no coração. Sinto-me livre de preocupações banais porque sei que és o meu porto de abrigo.
No entanto, há uma parte de mim que não conheces e não vês. Essa parte aparece nas longas noites que passo sem ti. Também passo dias e tardes sem ti, mas aí acho que tudo se mantém igual em mim… mas nas noites não. Esticar o braço na cama e não te sentir ali, ter um pesadelo e não ouvir a tua voz a tranquilizar-me, a ansia para ouvir o som do portão a fechar e a porta de casa a abrir dá cabo do meu equilíbrio mental. Sei que passarão dias, semanas, meses e anos e será sempre assim. Agora que esperamos o nosso filho as noites tornam-se mais longas e sei que quando ele crescer vai esperar por ti também… todas as noites. Tal como eu esperava pelo meu pai.
Esta parte de mim, que não conheces e não vês, é a parte mais frágil do meu coração que se revigora assim que o teu beijo me conforta depois de mais uma noite longa passada lá fora.
Eu sei que também há uma parte de ti que eu não conheço. Aquela em que nessas noites deixas a nossa casa para cumprir o teu dever, para te dedicares à profissão que escolheste com o coração. Sei que nessas noites vês coisas que nem sei, sentes coisas que nem calculo…

Mas sabes? Ambas partes que desconhecemos um do outro fazem de nós, da nossa relação, aquilo que ela é, somos dois amantes amigos! Criamos esta liberdade de irmos de mão dada estrada fora sabendo que cada um estará lá sempre para o beijo de regresso, para o beijo de “boa noite”.

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