segunda-feira, fevereiro 05, 2018

Eu, agora mãe, me confesso.

O relógio marca 4h03 da manhã.
Estou exausta. Esta é a realidade.
Tenho-te nos meus braços acabado de mamar mas com uma necessidade intensa de continuares a alimentar-te de mim, do meu colo, do meu calor do meu cheiro.
E eu aqui tão frágil destes dias tão intensos e sem regras.
Tenho saudades de mim, de quando tinha tempo para mim. Tenho saudades do teu pai, de quando tinha tempo para ele.
Ser mãe é muito mais que aquilo tudo que te dizem que é... é horrível, é exaustivo, é sentires que se calhar és incapaz de criar alguém e é também solitário.
Ninguém sabe realmente o que sentes quando passas horas sem dormir ou quando passas horas a embalar outro ser que chora horas a fio sem explicação. Começas a perder a noção das coisas e começas a cair num buraco profundo...
Mas eis que chega a parte contraditória disto tudo... o amor.
O Amor está nisto tudo. Sim, o Amor está presente na força que arranjas para acordar de hora em hora, no carinho com que embalas o teu filho e nos sorrisos que ele te dá quando te vê...
E assim vais percebendo que afinal viver é isto. É o cheiro dele, é o olhar dele e o calor dele. E agarras-te a tudo isso acreditando que melhores dias virão porque afinal de contas o amor vence tudo.