quarta-feira, agosto 24, 2016

Pouco tempo no tanto tempo que temos.

Falar sobre o tempo pode ser a maior perda de tempo que podemos ter.
No entanto, hoje deparei-me com uma foto de há 24 anos ao lado do meu avô materno.
Há 24 anos tinha eu 3 anos. Como é possível o tempo passar desta forma sem nós darmos conta?
Como é possível aproveitarmos tão mal todo o tempo que temos?
Sinto que temos pouco tempo ao lado das pessoas que amamos, e quando estas fotos aparecem ao lado de alguém que já partiu a nossa vontade era voltar atrás. Mergulhar naquela fotografia, na inocência dos meus 36 meses de vida, e abraçar-me ao meu avô e dizer-lhe que a vida ainda lhe ia pregar uma grande partida mas que eu/nós estaria/estaríamos lá para ele. Mergulhar naquela foto e aproveitar cada segundo daquela infância, correr, brincar cada segundo e ter como preocupação apenas qual a brincadeira seguinte...
Passamos tão pouco tempo do tanto tempo que temos com as pessoas que amamos.
Se tivéssemos mais tempo do tanto tempo que temos juntos seriamos mais humanos, seriamos mais felizes.
Quero um dia poder pensar que aproveitei o dia de hoje a 100% mas de facto já não tenho 3 anos, e já não sou aquela menina inocente na fotografia que tinha o seu avô.
O tempo destrói-nos, o tempo tira-nos as pessoas e tira-nos tempo de ter tempo para sermos felizes.

quinta-feira, agosto 11, 2016

Inteligência infeliz.

Todos os dias me deparo com uma guerra interna e pessoal entre a felicidade da ignorância e a infelicidade do conhecimento.
Gostava de ser feliz, mas para isso precisava de não buscar o conhecimento, precisava de viver fora de tudo.
Sofro pelo mundo que todos os dias se corrói e por o Ser Humano ser o principal causador.
Não sei, não vejo solução. As pessoas estão egoístas, dominadas e controladas pelo que lhes é incutido pelos canais mais facilitistas - comunicação social - e limitam-se a isso...
O terrorismo tornou-se comum, a poluição é banal e o crime é normal.
A entreajuda é escassa, o amor é fraco e a verdade é rara.
Eu gostava de ser feliz... a sério que gostava... tanto porque tenho uma vida que me pode proporcionar tal. No entanto, tudo o que leio, tudo o que estudo e tudo o que sei não me deixa viver essa felicidade plena.

"Felicidade em pessoas inteligentes é a coisa mais rara que conheço."
Ernest Hemingway

terça-feira, agosto 09, 2016

O livro que um dia vou escrever #1


"Quero fazer-te feliz, preciso fazer-te feliz!" - disse ele.

E assim foi. Ela foi feliz naquelas palavras, naquele olhar, naquele instante.

sexta-feira, agosto 05, 2016

Amorizade.

A razão pela qual me apaixonei por ti é exatamente a mesma razão que me faz apaixonar por ti todos os nossos dias. Sim, nossos dias, os dias já não são teus ou meus, são nossos. Já não há um dia que tu não faças parte dele, pois tu és parte de mim.
Somos dois amigos, dois amigos que se apaixonaram e que se amam. Fazemos a vida em conjunto, porque é assim que ela faz sentido. Quando não estou a tua barba cresce, quando não estás agarro-me à tua almofada.
Gosto daquele sorriso que tens quando digo algo que gostas, gosto de quando me agarras e me abraças. Gosto quando me chamas pelo segundo nome.
Cantamos músicas com a letra inventada por nós, porque nem fazemos ideia qual é a letra da música. Recordamos os Power Rangers, as Tartaruga Ninja e claro o Dragon Ball... ironia os teus desenhos animados favoritos eram os meus desenhos animados favoritos.
Saímos de casa vamos de férias. Irrito-me por não saberes o caminho irritas-te por eu não saber mexer no GPS. Amuamos, depois passa. Gritamos e fazemos piadas com todos os nomes das terras que passamos. Chegamos ao destino, depois de alguns atalhos e boas horas de viagem, e somos felizes.
Tu não gostas quando grito de manhã, eu não gosto quando não me respondes de manhã.
Somos os dois mal humorados quando acordamos, então, simplesmente, nada dizemos um ao outro de manhã só damos um abraço.
Gosto quando sabemos exatamente a resposta à pergunta: "sabes onde é que se está muita bem?" ou então "sabes onde é que há gaijas bouas?" e desatamo-nos a rir feitos parvos. E sim somos parvos! Parvos e crianças felizes.
Temos discussões sem nexo, porque afinal de contas temos de discutir né? (só para ir de acordo à regra do "nada é perfeito")
Odeias quando te vou pedir satisfações depois de um amuo, e eu odeio tu não quereres falar para esclarecer as coisas LOGO de IMEDIATO (eu adoro o imediato, tu odeias). Ficamos amuados. Depois naturalmente voltamos a conversar e passa. Nem me lembro o porquê da última discussão, é bom não é? Eu acho que quer dizer que não teve importância nenhuma.
Pensamos, quando nos chateamos, que conseguimos viver um sem o outro. Imaginamos o futuro se um quiser dizer "adeus" ao outro. E depois de falarmos sobre os nossos amuos (porque é o que chamo às nossas "discussões") concluímos que efetivamente nenhum saberia como viver sem o outro.
Saber os teus tiques e manias, tu saberes o significado das minhas expressões isso arrepia-me!
Como é possível conhecer tão bem alguém?
Como é possível amar tanto alguém?
Como é possível querer tanto alguém?