sábado, abril 14, 2012

O medo da insignificância

Acho que hoje descobri, finalmente, um dos meus maiores medos e com o mesmo acabei por crescer mais um bocado.

Ontem, antes de enterrar a cabeça na almofada para mais uma noite de descanso, comecei a sentir-me um ser pequeno. Comecei a pensar em tudo e senti-me cada vez mais insignificante.
Então depois de me vir essa palavra à cabeça cheguei à conclusão que tenho medo da insignificância.

Há quem diga que o medo da insignificância é um ensaio sobre o mal-estar civilizacional, é o despertar para a realidade de uma cultura em colapso... E assim se torna numa angústia existencial contemporânea. 
A procura da identidade é uma coisa que nos persegue desde a nossa existência, a busca por um sentido na vida, a auto-aceitação de ser como somos e o investimento intelectual faz parte do nosso crescimento como ser humano.
Este sentimento de insignificância surge nada mais nada menos da noção de que estamos absolutamente sós e da mania do ser humano pensar que não existe nada maior que nós mesmos e que a vida não passa deste universo físico que foi um mero acidente...

No entanto, tal como Albert Camus, podemos usar a insignificância para iniciar o processo da busca de algum significado. Ou seja, ao olharmos para a insignificância, estamos livres para inventar qualquer significado. Fazer do propósito da vida humana um inventar de propósitos. Sem significado a vida humana não tem sentido, então sejamos nós os criadores do significado.
O que eu entendo deste autor, Albert Canus, é que devemos aceitar a insignificância e só depois devemos então cultivar a coragem, o orgulho, o amor, a comunidade e a justiça social.

Eu acho que existe sempre um momento em que sentimos que a vida não tem qualquer sentido, e assim, ao estarmos diante da insignificância perdemos a esperança em tudo e em todos. Tudo à nossa volta nos soa a fraude, quer religiões ou filosofias. Sem essa esperança e fé, perdemos o norte, ficamos deprimidos, debilitados e até mesmo doentes. Muitos chegam a pensar que a única saída é o suicídio.
O que podemos fazer nestas situações é enfrentar este medo como todos os outros.
Quando não acreditamos em mais nada... passamos a acreditar em nós mesmos, e desta forma a vida começa a ter um significado especial e a nascer algum tipo de satisfação pessoal.

Eu acredito que só crescemos verdadeiramente quando ousamos questionar o significado da vida, porque é quando olhamos nos olhos do medo que estamos em condições de ir mais além. Caso contrário passamos a vida a fugir da possibilidade que as nossas crenças são falsas e arbitrárias.

O que eu  quero dizer com isto tudo é que temos de saber dar significado à nossa vida sabendo que ela mesmo pode não ter significado nenhum. Desta forma crescemos, criamos e vivemos segundo o significado que vamos dando àquilo que fazemos.

Existem aquelas pessoas que não conseguem encarar essa possibilidade de que a vida não tem sentido algum, e essas pessoas geralmente são crentes fanáticos. O que eles fazem não é mais que procurar desesperadamente que os outros acreditem no que eles acreditam para se sentirem mais seguros das suas crenças.
Ao serem crentes fanáticos vivem num medo mais profundo e constante que qualquer outro, tudo porque têm medo de desafiar o seu próprio conjunto de crenças, têm medo de discutir convicções diferentes das suas de forma aberta e morrem de medo de estarem completamente erradas. Passam assim a vítimas de enganadores, fanáticos e milagreiros...
As pessoas assustadas são realmente assustadoras, pois fazem qualquer coisa para provarem que têm razão e só a sua razão é a correcta.

Mas quem já encarou o medo não tem motivos para querer convencer os outros e nem é influenciado por modas nem crenças enganadoras. Não precisa de mestres, gurus, padres, pastores ou líderes para lhe indicar o caminho a seguir. Porque essa pessoa encontrou tudo isso dentro de si, tem plena consciência da sua vida, de todos os acontecimentos e as suas causas e sabe ele mesmo o caminho que deve seguir livre de dogmas.

Logo, a grande conclusão é que a insignificância não é o contrário do nosso questionamento sobre o significado da vida, mas sim, o início da nossa busca por algum significado. 
Ao encarar a insignificância de forma consciente e sem medo, vamos ter liberdade para procurar o significado mais profundo da nossa vida.

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