quinta-feira, julho 30, 2015

Ser mulher de um Polícia.

Quando casamos com um Polícia estamos a assumir um compromisso com a Polícia.
Enganados estão todos aqueles que acham que aquele juramento de por em risco a própria vida só é feito pelos agentes.
Não é.
Em cada operação, em cada turno, em cada momento de vestir a farda nós os dois estamos juntos, correndo o risco da desgraça e correndo o risco da solidão.

Não há fins de semana livres, não há Natal ou Ano Novo, não há aniversários que sejam garantidos que ele esteja ali ao meu lado.
Os Polícias não têm horários, não têm altura definida para descanso do compromisso que assumiram.

São seres humanos como todos nós, são de carne e osso mas parecem de ferro.
Eles têm emoções mas depois de tudo o que vêem e vivem nos turnos que fazem aprendem a escondê-las...
Eles também têm medos e receios mas aprendem a combatê-los.

O que mais me custa são os segredos que sei que ele muitas vezes me esconde com medo que eu tenha medo do dia de amanhã.
Dá-me um beijo, fecha a porta e sai de casa para mais um turno.
Quantas vezes me caem as lágrimas? Muitas.
Tenho medo... Medo que ele não regresse...
Ele corre para mais um turno sem saber se dele volta. Enfrenta perigos que muitas vezes nem se apercebe.

Os Polícias não sabem desistir, nem sequer conhecem a covardia. São eles que correm de onde todos nós fugimos e enfrentam quem mais nos mete medo. Fazem tudo isto até por alguém que nem conhecem, e até morrem por nós se for preciso.

Para ser mulher de um Polícia temos de ser fortes. Temos de saber ouvir tudo o que têm para nos contar quando chegam a casa depois de um turno que os destruiu por completo o corpo e a mente. Temos de ser tolerantes ao ponto de suportar o mau humor provocado pelas imensas noites acumuladas sem dormir.
Saber olhar para as notícias difamadoras e para os protestos onde vejo pedras, disparos e fogo sobre os Polícias. Tremer de medo com a possibilidade de ver o meu homem ferido ali no meio daqueles animais...
Olhar para ele e ver que sente profundamente a ingratidão por aqueles que ele dá a vida.

E quantas críticas, quantas reclamações, quantos inquéritos e desgaste contra os Polícias? Quanta desvalorização, quanto uso político do trabalho suado de quem está nas ruas arriscando a vida, tendo a coragem de expor a sua família e a sua ausência.

Às vezes pergunto-lhe:
– Achas que tudo isto vale a pena?
Às vezes diz o quanto ama a sua farda... outras vezes ele suspira baixa a cabeça, disfarça, muda de assunto e vai para o quarto despir a farda de mais um dia de herói.

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